|
Nos recintos olímpicos de Pequim 2008 não têm lugar os apertões, os escupitajos e os graffitis. Também não o têm as mascotes. Nem os "panfletos ou símbolos religiosos que possam ser usados como material de propaganda". China empunha o bisturí ante a chegada de seus Jogos Olímpicos.A última especificação entre comillas sobre os símbolos religiosos vinho a raiz de certas informações (da Gazzetta dello Sport, essencialmente) que antecipavam a proibição absoluta de que símbolos como a Bíblia e o crucifixo fossem introduzidos nos lugares olímpicos. Rapidamente, o Comitê Organizador de Pequim 2008 clarificou o regulamento no sentido do veto desses símbolos "para usos propagandísticos".O Comitê Organizador fez questão de que sua intenção é algo semelhante "ao que a FIFA já tentou fazer com as mensagens religiosas de certos futebolistas famosos (Kaká, os Atletas de Cristo...) em suas grandes competições".
Mas o que o Comitê Organizador não somente não desmente, senão que confirma em todo seu rigor, é o decálogo de avisos e proibições elaborado pela Comuna de Pequim e que vai destinado à cidadania da capital: um golpe na linha de flutuação aos usos e costumes dos habitantes da grande urbe. Tudo seja em aras da máxima educação e urbanidade de milhões de pekineses que, segundo se supõe, vão ser olhados com lupa pelo mundo ocidental.O rigor das autoridades chinesas não só vai cair sobre seus cidadãos: os jornalistas internacionais vão ser objeto de uma inspeção suprema sobre seus antecedentes e atividades.
Em todo caso, nada demasiado surpreendente para os jornalistas presentes nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City, quando, sob a síndrome da queda das Torres Gêmeas, unidades de elite do Exército de EE UU custodiavam, espingarda em ristre, os acessos a todos os recintos e zonas de trabalho em Salt Lake City e Park City. Os vôos que saíam e entravam em Utah iam sob custódia direta dos US Marshals, agentes federais. Com segurança, Chinesa não poderá superar isso.Além do Decálogo Cidadão e das precisões com respeito ao material religioso de propaganda, também ficou clara a proibição para os atletas de introduzir bebidas alcoólicas em Vilas e recintos olímpicos.
Esses mesmos recintos, já em via de inauguração iminente, como o National Stadium ou o Wukesong Indoor Stadium, onde se disputará o torneio de basquete, estão agora (e o seguirão estando quando estejam findos) sob proteção direta de unidades militares.China não quer deixar puntada sem fio e mete o bisturí. Desde Pequim não se respondem questões informativas por telefone, senão por questionário, credenciado e contrastado previamente. Os semáforos em vermelho, os escupitajos, as aglomerações, aposta-las, os revendas e a poluição estão, todos a uma, no ponto de mira. |