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Ciclismo

Portugal se converteu no último refúgio dos ciclistas implicados na Operação Porto. Enquanto as equipes espanholas decidiram prescindir destes corredores e outros muitos se ficaram no desemprego ou se retiraram, em Portugal lhes acolheram sem maiores inconvenientes. Assim ocorreu com Paco Mancebo, Angel Vicioso, Rubén Plaza, Tino Zaballa, Koldo Gil, David Bernabéu, Isidro Nozal e Eladio Jiménez, que tiveram que emigrar marcados por seu passado e pelo desdém das formações de primeira fila. Inclusive Sabino Padilla, um dos doutores cujo nome se vinculou ao dopaje em Espanha, cruzou a fronteira para dirigir os serviços médicos da seção ciclista do Benfica.
"Portugal é o lar dos últimos puertistas", assim define esta situação Fernando Emilio, jornalista especializado da Bola. "A opinião pública tenta olhar a outro lado, pretende que não se fale de dopaje para que não se vão os patrocinadores, mas enquanto as equipes ficham a corredores procedentes de Espanha que têm estado metidos na Operação Porto. No entanto, este defeito não é só nosso, já que algo parecido sucede em outros países de Europa, onde também foram cúmplices dos enganadores".
Os conjuntos portugueses que assinaram a estes ciclistas o fizeram com contratos à baixa, por objetivos. "Os sponsors em Portugal não dispõem de grandes orçamentos, assim que esta gente não cobrará o que percebiam faz duas ou três anos e o farão pelos prêmios que ganhem e ao redor de uns 2.000 ou 3.000 euros ao mês", afirma Fernando Emilio.
Ademais, assegura que "agora se incrementarão as medidas e os controles antidoping devido à suspeita que implica contar com estes corredores na planilha".
Por sua vez, Artur Lopes, presidente da Federação portuguesa, confessou sua convicção de que "existem práticas de dopaje generalizado", mas não lhe preocupa a incorporação dos espanhóis aos esquadros de seu país nem crê que restem credibilidade a seu ciclismo.
E é que, como não foram processados pela justiça nem existe nenhuma sanção contra eles, Mancebo, Vicioso e companhia são livres de fichar por qualquer equipe que lhes queira ter em suas filas. Neste caso, só lhes ficou a opção dos de Portugal, de categoria continental não profissional (como um Segundo B no futebol).
Seu calendário se reduzirá a unicamente 76 dias de competição e só o Benfica de Rubén Plaza e Sabino Padilla tem possibilidades de disputar provas importantes esta temporada, como a Volta A Espanha.Agora, estes poucos sobreviventes da Operação Porto que agüentaram no pelotão no 2007 (ainda que o fizeram em conjuntos menores porque não podem disputar as carreiras do ProTour, as grandes) encontraram refúgio em Portugal para continuar sua carreira durante ao menos uma temporada mais.
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